Caros leitores e seguidores do Bio Rapinas, hoje escrevo para vocês, uma experiência pessoal. Sabemos que, toda pesquisa deriva de uma boa observação da realidade, identificação do problema e proposição de solução, por isso, não escrevo hoje, a descrição de mais uma espécie de ave de rapina e confeso que ainda faltam muitas para incluir neste blog...
O que vocês irão ler a seguir, trata-se da experiência pessoal de observador e futuro pesquisador destas aves. Resido em uma área urbana da cidade do Rio de Janeiro, o bairro onde moro, encontra-se entre dois maciços, o Parque Estadual do Pedra Branca (maior parque urbano de mata atlântica do mundo) e o Maciço do gericinó (Área de treinamento militar, último reduto de trechos da Mata Atlântica primária do Município, local de nascentes de rios de água cristalina, guarda restos de um vulcão que sacudiu a região, quando o homem ainda não habitava a Terra e possui a Floresta do Mendanha).
Maciço do Gericinó - RJ
Toda esta configuração geografica, proporciona quase que diariamente onde moro, a observação de espécies específicas de aves de rapina, são elas: Carrapateiro (
Milvago chimachima), Carijó
(Rupornis magnirostris), Carcará (
Caracará plancus) e Quiriquiri (
Falco sparverius), que inclusive já registrei em vídeo e postei aqui neste blog. Também já pude observar, mas apenas uma vez um Falcão cauré (
Falco rufigularis), existem outras espécies, mas estas são encontradas apenas seus habitats naturais, ou seja, na mata. Todas as espécies ditas anteriormente são facilmente encontradas e observadas em meios urbanos de cidades; por facilidade de adpatação a este novo "habitat", as vezes porque a espécie encontra abundancia de alimento (agregação ou áreas de dormida de suas presas) ou até mesmo porque ao se refugiarem nas cidades, elas mesmas estão se distanciando de seus predadores naturais.
Pude observar durante os meses de junho a outubro de 2009, a presença das espécies: Gavião Carijó, 37 vezes, sempre pela manhã por volta das 9:00 he às vezes à tarde, por volta das 16:00 h, ele anunciava sua presença com sua típica e inconfundível vocalização (disponível aqui no blog em um vídeo), registrei e postei aqui no blog uma verdadeira "pancada" que ele levou de um Bem-te-vi. O Carcará durante este período, pude registrar 11 vezes, geralmente por volta das 17:00 h, uma vez registrei 3 indivíduos às 7:00 da manhã quando estava indo para a faculdade. O quiriquiri registrei 23 vezes. Sua ocorrência era como o Carijó, de manhã ou à tarde. Para os amantes destas aves, é uma enorme recompensa, quando podemos observar o Quiriquiri literalmente "parar" no ar, quando está peneirando em busca de uma presa. O Carrapateiro, registrei apenas 2 vezes, à tarde; o interessante é que, sempre voáva de coqueiro em coqueiro, talvez, à procura de ninhos de aves para predar seus ovos ou filhotes. Pude observar pessoalmente a predação de um ninho de bombo por um Carrapateiro no mês de Dezembro de 2009, mas o ninho encontrava-se em um beiral de uma casa e não em um coqueiro.
Até aí, o que tem de novo? tudo que descrevi até aqui, talvez não traga nenhuma novidade. Bem meus meus amigos e amigas, se você é um bom observador(a), pôde perceber que a ocorrência de três espécies durante as estações de temperaturas mais amenas (final de outono, todo o inverno e começo de primavera) foi mais comum. A partir de novembro, dezembro e este mês de janeiro, onde as temperaturas estão mutito altas, e acreditem o Rio faz muito calor, o registro do Carrapateiro se dá quase que diariamente, sempre muito cedo, a partir das 6:00 h da manhã e por volta das 17:00 h. O Carijó e o quiriquiri pude observar apenas uma única vez em dias diferentes para cada espécie. Estávamos à vários dias sobre a ação de uma frente fria, a temperatura nestes dias não passava de 22º e o Carcará não apresentou um registro sequer. Claro que tudo que aqui descrevi, não se pode ter como verdede inquestionável, talvez se trate de uma particularidade da região onde moro, mas de qualquer forma, achei interessante compartilhar com vocês!
Milvago chimchima (foto zoo de salvador)
A observação de aves ou de qualquer animal, proporciona delinearmos um pouco mais da ecologia de cada espécie, presenciando situações nem mesmo descritas em livros ou artigos científicos. E não é preciso ficar o dia inteiro "plantado" em um bom local, basta uma vista previlegiada e um pouco de sorte. Todos os registros que fiz, foram feitos antes de ir para a faculdade ou depois de chegar do trabalho. Se você puder, pratique também, vale a pena, mas lembre-se! A ave deve estar em liberdade! Ave em gaiola não vale! Boa observação a todos e até o próximo post!